quarta-feira, 11 de maio de 2011

ALIVIO



Nessa manhã, quando fui psicografar, eu começei a ouvir um soluço sofrido de uma mulher. A ele se juntou um choro desesperado de uma outra mulher. Logo a seguir ouvi um grito feminino de angústia. A tal ponto chegou a percepção que me vi na contigência natural de me defender, porque parecia que eu ouvia centenas de melhures chorando e clamando. Eu me recolhi na prece e percebi a presença de dona Maria Modesto Cravo, e a perguntei o que era aquilo. Ela então me respondeu: "esse é o pranto sofrido das mães do mundo que perderam seus filhos". Novamente indaguei-lhe: a senhora quer que façamos algo? E essa tutora amorosa me disse: "transforme seu lápis mediúnico em um lenço, meu filho, e vamos secar as lágrimas dessas mulheres que, como eu, experimentaram a dor do desespero por meio da separação da morte". Três jovens escreveram cartas a suas mães queridas que frequentam a Casa de Ermance, em Belo Horizonte.
Como elas não podem ser divulgadas aqui e no intuito de poder auxiliar alguma mãe distante, peguei uma cartinha mais antiga que foi endereçada a pais que perderam seu filho por atropelamento, retirei os dados pessoais, e mantive a mensagem consoladora, na esperança de que a cartinha possa ajudar alguma mãe em sofrimento.


"Meus paizinhos queridos,
Eu sei que as palavras parecem não ser minhas nesse bilhete sincero que escrevo. Palavras de gente grande, mas sentimentos de pingo de gente como eu. Estou me valendo de uma situação em que somo meus pensamentos com as idéias do médium. Ainda assim quero que saibam, sou eu mesmo teu filhinho que partiu para uma nova etapa. Procurem sentir-me mais que entender-me.
Mamãe, eu vejo tuas lágrimas de dor pensando no que eu possa ter sofrido debaixo das rodas pesadas do veículo desgovernado. Não foi bem assim mãezinha! Acredite!
O vozinho querido me estendeu os braços antes mesmo que pudesse ver ou saber o que tinha acontecido. Foi como um tombo passageiro que a gente fica sem saber alguns segundos onde está. Nunca doeu nada mamãe. Você sabe como eu sou esperto e duro pra aguentar…
Papai, não diga que a vida acabou! A vida começa de verdade quando somos chamados a pensá-la de outro jeito. Alegrias e tristezas todos vamos passar e sempre tudo será recomeço, continuidade e crescimento.
Sei que vivi muito pouco no entendimento de vocês. Talvez tenha sido mesmo muito pouco para o tanto de amor que nos unia, mas quero que saibam que foi muito importante para mim que não sabia o que era renascer no corpo físico há tanto tempo.
Eu peço a vocês que tenham coragem e continuem. É tudo que eu preciso para continuar meus passos. Vamos juntos transformar a sombra espessa da amargura em dias de superação, coragem e nova luz. Jamais seremos separados caso o nosso amor consiga construir o caminho da aceitação, perante a vida. A revolta, ao contrário, machuca e nos distancia. A cirurgia dolorosa da separação afetiva é apenas um novo começo. Dói porque todos nós precisamos enxergar um lado da vida que ainda não conhecíamos.
Fiquem de coração aberto para a vida, respirem a vida. Por que continuar carregando essa culpa de que não me deram o quanto eu precisava? Eu me sentia amado por vocês. Isso é que importa. Perdoem-se por não terem sido quem gostariam ou fazerem quanto desejariam por mim. Eu me sinto enriquecido de ter pais como vocês.
Naõ xinguem Deus pelo que aconteceu. Ele sabe muito melhor que todos nós o que precisamos de verdade para avançar.
Eu estou entre outras crianças que também fizeram suas malas para a viagem definitiva. É um lugar iluminado e feliz. Você já esteve aqui nos seus sonhos mãezinha. Recorda a professora que também fez suas malas para cá, aquela que tinha dores horríveis na coluna, ela também esteve por aqui porque sabia de minha vinda. Aqui temos luz, diversão, acolhimento e carinho.
Eu sei hoje que dias melhores esperam a cada um de nós. Eu só escrevi para lhes pedir isso em nome do amor que nos une, que esparramem o amor que nos enlaça a outros que tem menos do que nós, para que as bênçãos poderosas do afeto alimentem o ânimo e a atenue a dor daqueles que sequer não tem pelo que viver.
Seu filhinho de sempre, por entre o perfume da alegria e os eflúvios da esperança."

Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Oliveira, 18 de setembro de 2010, na Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

ALIVIO




Nessa manhã, quando fui psicografar, eu começei a ouvir um soluço sofrido de uma mulher. A ele se juntou um choro desesperado de uma outra mulher. Logo a seguir ouvi um grito feminino de angústia. A tal ponto chegou a percepção que me vi na contigência natural de me defender, porque parecia que eu ouvia centenas de melhures chorando e clamando. Eu me recolhi na prece e percebi a presença de dona Maria Modesto Cravo, e a perguntei o que era aquilo. Ela então me respondeu: "esse é o pranto sofrido das mães do mundo que perderam seus filhos". Novamente indaguei-lhe: a senhora quer que façamos algo? E essa tutora amorosa me disse: "transforme seu lápis mediúnico em um lenço, meu filho, e vamos secar as lágrimas dessas mulheres que, como eu, experimentaram a dor do desespero por meio da separação da morte". Três jovens escreveram cartas a suas mães queridas que frequentam a Casa de Ermance, em Belo Horizonte.
Como elas não podem ser divulgadas aqui e no intuito de poder auxiliar alguma mãe distante, peguei uma cartinha mais antiga que foi endereçada a pais que perderam seu filho por atropelamento, retirei os dados pessoais, e mantive a mensagem consoladora, na esperança de que a cartinha possa ajudar alguma mãe em sofrimento.


"Meus paizinhos queridos,
Eu sei que as palavras parecem não ser minhas nesse bilhete sincero que escrevo. Palavras de gente grande, mas sentimentos de pingo de gente como eu. Estou me valendo de uma situação em que somo meus pensamentos com as idéias do médium. Ainda assim quero que saibam, sou eu mesmo teu filhinho que partiu para uma nova etapa. Procurem sentir-me mais que entender-me.
Mamãe, eu vejo tuas lágrimas de dor pensando no que eu possa ter sofrido debaixo das rodas pesadas do veículo desgovernado. Não foi bem assim mãezinha! Acredite!
O vozinho querido me estendeu os braços antes mesmo que pudesse ver ou saber o que tinha acontecido. Foi como um tombo passageiro que a gente fica sem saber alguns segundos onde está. Nunca doeu nada mamãe. Você sabe como eu sou esperto e duro pra aguentar…
Papai, não diga que a vida acabou! A vida começa de verdade quando somos chamados a pensá-la de outro jeito. Alegrias e tristezas todos vamos passar e sempre tudo será recomeço, continuidade e crescimento.
Sei que vivi muito pouco no entendimento de vocês. Talvez tenha sido mesmo muito pouco para o tanto de amor que nos unia, mas quero que saibam que foi muito importante para mim que não sabia o que era renascer no corpo físico há tanto tempo.
Eu peço a vocês que tenham coragem e continuem. É tudo que eu preciso para continuar meus passos. Vamos juntos transformar a sombra espessa da amargura em dias de superação, coragem e nova luz. Jamais seremos separados caso o nosso amor consiga construir o caminho da aceitação, perante a vida. A revolta, ao contrário, machuca e nos distancia. A cirurgia dolorosa da separação afetiva é apenas um novo começo. Dói porque todos nós precisamos enxergar um lado da vida que ainda não conhecíamos.
Fiquem de coração aberto para a vida, respirem a vida. Por que continuar carregando essa culpa de que não me deram o quanto eu precisava? Eu me sentia amado por vocês. Isso é que importa. Perdoem-se por não terem sido quem gostariam ou fazerem quanto desejariam por mim. Eu me sinto enriquecido de ter pais como vocês.
Naõ xinguem Deus pelo que aconteceu. Ele sabe muito melhor que todos nós o que precisamos de verdade para avançar.
Eu estou entre outras crianças que também fizeram suas malas para a viagem definitiva. É um lugar iluminado e feliz. Você já esteve aqui nos seus sonhos mãezinha. Recorda a professora que também fez suas malas para cá, aquela que tinha dores horríveis na coluna, ela também esteve por aqui porque sabia de minha vinda. Aqui temos luz, diversão, acolhimento e carinho.
Eu sei hoje que dias melhores esperam a cada um de nós. Eu só escrevi para lhes pedir isso em nome do amor que nos une, que esparramem o amor que nos enlaça a outros que tem menos do que nós, para que as bênçãos poderosas do afeto alimentem o ânimo e a atenue a dor daqueles que sequer não tem pelo que viver.
Seu filhinho de sempre, por entre o perfume da alegria e os eflúvios da esperança."

Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Oliveira, 18 de setembro de 2010, na Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PARTIDA COLETIVA

No cair da tarde chuvosa do dia 17 de julho de 2007, em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, um desastre aéreo abalou a opinião pública e deixou um saldo de duas centenas de mortos.

A comoção atingiu patamares internacionais, vez que, entre os passageiros daquele voo estavam estrangeiros, tanto quanto pelo elevado número de vítimas.

Estima-se seja um dos desastres aéreos com maior número de vítimas. Logo, começaram a ser transmitidas, junto com o dantesco espetáculo do fogo, das explosões que se sucediam, as cenas de desespero de parentes das vítimas.

Uns gritavam pelos nomes dos que haviam partido, dilacerados de dor. Outros, já clamavam por justiça, invocando direitos e normas não respeitados. Por fim, um ou outro, abraçava-se, aliviado, ao familiar que deveria estar naquele voo, mas foi desviado para outro, pelos motivos mais diversos.

Depoimentos de quem se zangou por ter perdido o voo e agora, agradecia por não estar nele. Informações desencontradas, esforço hercúleo de bombeiros para o resgate, trabalho de repórteres, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos...

Mais uma tragédia que nos leva a indagar: Por que permite Deus tais acontecimentos tão trágicos?

Por que um voo de pouco mais de hora, realizado com sucesso, se transforma numa tragédia na chegada? Na hora do pouso?

Naturalmente, as autoridades competentes levantarão dados e se descobrirá, quem sabe, se a culpa foi da chuva torrencial, da pista do Aeroporto, de problema mecânico, de falha humana...

Mas, a indagação persiste: Por quê?
Por que jovens cheios de sonho tiveram sua vida ceifada desta forma? Por que pessoas que retornavam aos braços de seus amores morrem desta forma?

Por que tudo acontece, assim, sem a derradeira possibilidade de um abraço de despedidas? Por quê?

Se Deus é amor, por que permite tais acontecimentos que destroçam famílias e destroem vidas felizes?

Tudo na Criação é harmonia. Tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. As grandes partidas coletivas estão na pauta da Justiça Divina. Ninguém recebe algo que não deva. Desta forma, tragédias desse porte reúnem Espíritos que têm comprometimentos para com a Lei Divina.

Recambiados para o Mundo Espiritual, de forma brusca, ressarcem o que devem à Lei. As famílias que sofrem as dores superlativas estão envolvidas no mesmo processo. Nada de errado, portanto, se pensarmos na Justiça Divina que a cada um dá segundo as suas obras. E que, conforme o preceito evangélico, a semeadura é livre, mas a colheita se torna obrigatória.

Contudo, se a Justiça Divina age, também Sua Misericórdia se estende.

E, os que cremos na vida além da vida, temos a certeza de que todos os Espíritos que pereceram no desastre aéreo, receberam apoio espiritual.

Seus anjos de guarda, enviados de Deus, os ampararam no trânsito desta para a vida verdadeira.

Aos que permanecemos na carne, aguardando o nosso momento da partida, cabe-nos orar pelos que se foram. Pelos que ficaram.

Pelos corações de mães destroçados, pelos cônjuges feridos, pelos órfãos, pelos enamorados, pelos amigos, por todos os que sofrem a ausência dos amores.

E, enquanto aguardamos a própria partida, orarmos ainda mesmo por nós, para que, em chegada a hora, estejamos a postos e preparados.

Seja a partida pelos braços da enfermidade, de forma lenta Ou de forma repentina, por acidente orgânico, meteorológico ou qualquer outro.

PARTIDA COLETIVA

No cair da tarde chuvosa do dia 17 de julho de 2007, em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, um desastre aéreo abalou a opinião pública e deixou um saldo de duas centenas de mortos.

A comoção atingiu patamares internacionais, vez que, entre os passageiros daquele voo estavam estrangeiros, tanto quanto pelo elevado número de vítimas.

Estima-se seja um dos desastres aéreos com maior número de vítimas. Logo, começaram a ser transmitidas, junto com o dantesco espetáculo do fogo, das explosões que se sucediam, as cenas de desespero de parentes das vítimas.

Uns gritavam pelos nomes dos que haviam partido, dilacerados de dor. Outros, já clamavam por justiça, invocando direitos e normas não respeitados. Por fim, um ou outro, abraçava-se, aliviado, ao familiar que deveria estar naquele voo, mas foi desviado para outro, pelos motivos mais diversos.

Depoimentos de quem se zangou por ter perdido o voo e agora, agradecia por não estar nele. Informações desencontradas, esforço hercúleo de bombeiros para o resgate, trabalho de repórteres, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos...

Mais uma tragédia que nos leva a indagar: Por que permite Deus tais acontecimentos tão trágicos?

Por que um voo de pouco mais de hora, realizado com sucesso, se transforma numa tragédia na chegada? Na hora do pouso?

Naturalmente, as autoridades competentes levantarão dados e se descobrirá, quem sabe, se a culpa foi da chuva torrencial, da pista do Aeroporto, de problema mecânico, de falha humana...

Mas, a indagação persiste: Por quê?
Por que jovens cheios de sonho tiveram sua vida ceifada desta forma? Por que pessoas que retornavam aos braços de seus amores morrem desta forma?

Por que tudo acontece, assim, sem a derradeira possibilidade de um abraço de despedidas? Por quê?

Se Deus é amor, por que permite tais acontecimentos que destroçam famílias e destroem vidas felizes?

Tudo na Criação é harmonia. Tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. As grandes partidas coletivas estão na pauta da Justiça Divina. Ninguém recebe algo que não deva. Desta forma, tragédias desse porte reúnem Espíritos que têm comprometimentos para com a Lei Divina.

Recambiados para o Mundo Espiritual, de forma brusca, ressarcem o que devem à Lei. As famílias que sofrem as dores superlativas estão envolvidas no mesmo processo. Nada de errado, portanto, se pensarmos na Justiça Divina que a cada um dá segundo as suas obras. E que, conforme o preceito evangélico, a semeadura é livre, mas a colheita se torna obrigatória.

Contudo, se a Justiça Divina age, também Sua Misericórdia se estende.

E, os que cremos na vida além da vida, temos a certeza de que todos os Espíritos que pereceram no desastre aéreo, receberam apoio espiritual.

Seus anjos de guarda, enviados de Deus, os ampararam no trânsito desta para a vida verdadeira.

Aos que permanecemos na carne, aguardando o nosso momento da partida, cabe-nos orar pelos que se foram. Pelos que ficaram.

Pelos corações de mães destroçados, pelos cônjuges feridos, pelos órfãos, pelos enamorados, pelos amigos, por todos os que sofrem a ausência dos amores.

E, enquanto aguardamos a própria partida, orarmos ainda mesmo por nós, para que, em chegada a hora, estejamos a postos e preparados.

Seja a partida pelos braços da enfermidade, de forma lenta Ou de forma repentina, por acidente orgânico, meteorológico ou qualquer outro.

sexta-feira, 11 de março de 2011

MULHER

Na dolorosa situação dos vossos tempos, observamos a mulher, de modo geral, indiferente aos seus grandes deveres. As ilusões políticas, a concorrência profissional, os venenos filosóficos invadiram os lares.

São poucas as companheiras fieis que se mantêm nos postos de serviço com Jesus, convictas da transitoriedade das posições humanas.

Quase sempre o que se verifica, é justamente o naufrágio de luminosas esperanças que, a principio, pareciam incorruptíveis e vigorosas. Semelhantes desastres são oriundos do esquecimento de que a nossa linha de frente, na batalha humana, é o lar, com todas as suas obrigações e sacrifícios, compelindo as mães, as esposas, filhas e irmãs aos atos supremos de renúncia.

Nosso Mestre é Jesus. Nosso trabalho é a edificação para a vida eterna. É imprescindível não olvidar que os homens obedecerão, em todas as suas tarefas, ao imperativo do sentimento. Sem esse requisito, são muito raros os que triunfam. É necessário converter o nosso potencial de fé em fonte de auxilio.

Nada conseguiremos no terreno das competições mesquinhas, mas sim na esfera da bondade e da cooperação espiritual.

Busquemos compreender, cada vez mais, o caráter transcendente de nossas obrigações. Quando nos referimos ao dever doméstico, claro que não aludimos à subserviência ou à escravidão. Referimo-nos à dignidade feminina com o Cristo para que todas nos tornemos devotadas cooperadoras de nossos irmãos. O mau feminismo é aquele que promete conquistas mentirosas, perdido em pregações brilhantes para esbarrar, mais tarde, em realidades dolorosas. Reconhecemos, porém, que o feminismo, esse que integra a mulher no conhecimento próprio, é o movimento de Jesus, em favor do lar, para o lar e dentro do lar.

Felizes, sois, portanto, pela santidade de vosso ministério. Unamos as mãos no trabalho redentor. Seja nossa casa, o grande abrigo dos corações, onde todos temos uma tarefa sagrada a cumprir. Deus no-la concedeu, atendendo-nos às aspirações mais elevadas e às suplicas mais sinceras. Cada obstáculo seja um motivo novo de vitória e cada pequena dor seja para nós uma jóia do escrínio da eternidade.

Deixai que a tormenta do mundo, com suas velhas incompreensões, se atenue pelo Poder Divino. Não vos magoe os ouvidos o rumor das quedas exteriores. Continuai na casa do coração, certas de que Jesus estará conosco, sempre que lhe soubermos preferir a companhia sacrossanta.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CIUMES

Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática, a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades, que nunca encontram apoio nem reconforto.

Atormentado pelo ego dominador, o paciente, quando não consegue asfixiar aquele a quem estima ou ama, dominando-lhe a conduta e o pensamento, foge para o ciúme, em cujo campo se homizia a fim de entregar-se aos sofrimentos masoquistas que lhe ocultam a imaturidade, a preguiça mental e o desejo de impor-se à vítima de sua psicopatologia.

No aturdimento do ciúme, o ego vê o que lhe agrada e se envolve apenas com aquilo em que acredita, ficando surdo à razão, à verdade.

O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial.

O ciumento, inseguro dos próprios valores, descarrega a fúria do estágio primitivista em manifestações ridículas, quão perturbadoras, em que se consome. Ateia incêndios em ocorrências imaginárias, com a mente exacerbada pela suspeita infeliz, e envenena-se com os vapores da revolta em que se rebolca, insanamente.

Desviando-se das pessoas e ampliando o círculo de prevalência, o ciúme envolve objetos e posições, posses e valores que assumem uma importância alucinada, isolando o paciente nos sítios da angústia ou armando-o com instrumentos de agressão contra todos e tudo.

O ciúme tende a levar sua vítima à loucura.

O ego enciumado fixa o móvel da existência no desejo exorbitante e circunscreve-se à paixão dominadora, destruindo as resistências morais e emocionais, que terminam por ceder-lhe as forças, deixando de reagir.

Armadilha do ego presunçoso, ele merece o extermínio através da conquista de valores expressivos, que demonstrem ao próprio indivíduo as suas possibilidades de ser feliz.

Somente o self pode conseguir essa façanha, arrebentando as algemas a que se encontra agrilhoado, para assomar, rico de realizações interiores, superando a estreiteza e os limites egóicos, expandindo-se e preenchendo os espaços emocionais, as aspirações espirituais, vencidos pelos gases venenosos do ciúme.

Liberando-se da compressão do ciúme, a pouco e pouco, o eu profundo respira, alcança as praias largas da existência e desfruta de paz com alguém ou não, com algo ou nada, porém com harmonia, com amor, com a vida.

S E X O

“Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda a não ser para aquele que a tem por imunda” – Paulo. (Romanos, 14:14.)

Quando Paulo de Tarso escreveu esta observação aos romanos, referia-se à alimentação que, na época, representava objeto de áridas discussões entre gentios e judeus.

Nos dias que passam, a ato de comer já não desperta polêmicas perigosas, entretanto, podemos tomar o versículo e projetá-lo noutros setores de falsa opinião.

Vejamos o sexo, por exemplo. Nenhum departamento da atividade terrestre sofre maiores aleives. Fundamente cego de espírito, o homem, de maneira geral, ainda não consegue descobrir aí um dos motivos mais sublimes de sua existência. Realizações das mais belas, na luta planetária, quais sejam as da aproximação das almas na paternidade e na maternidade, a criação e a reprodução das formas, a extensão da vida e preciosos estímulos ao trabalho e à regeneração foram proporcionadas pelo Senhor às criaturas, por intermédio das emoções sexuais; todavia, os homens menoscabam o “lugar santo”, povoando-lhe os altares com os fantasmas do desregramento.

O sexo fez o lar e criou o nome de mãe, contudo, o egoísmo humano deu-lhe em troca absurdas experimentações de animalidade, organizando para si mesmo provações cruéis.

O Pai ofereceu o santuário aos filhos, mas a incompreensão se constituiu em oferta deles. É por isto que romances dolorosos e aflitivos se estendem, através de todos os continentes da Terra.

Ainda assim, mergulhado em deploráveis desvios, pergunta o homem pela educação sexual, exigindo-lhe os programas. Sim, semelhantes programas poderão ser úteis; todavia, apenas quando espalhar-se a santa noção da divindade do poder criador, porque, enquanto houver imundície no coração de quem analise ou de quem ensine, os métodos não passarão de coisas igualmente imundas.