quarta-feira, 11 de maio de 2011

ALIVIO



Nessa manhã, quando fui psicografar, eu começei a ouvir um soluço sofrido de uma mulher. A ele se juntou um choro desesperado de uma outra mulher. Logo a seguir ouvi um grito feminino de angústia. A tal ponto chegou a percepção que me vi na contigência natural de me defender, porque parecia que eu ouvia centenas de melhures chorando e clamando. Eu me recolhi na prece e percebi a presença de dona Maria Modesto Cravo, e a perguntei o que era aquilo. Ela então me respondeu: "esse é o pranto sofrido das mães do mundo que perderam seus filhos". Novamente indaguei-lhe: a senhora quer que façamos algo? E essa tutora amorosa me disse: "transforme seu lápis mediúnico em um lenço, meu filho, e vamos secar as lágrimas dessas mulheres que, como eu, experimentaram a dor do desespero por meio da separação da morte". Três jovens escreveram cartas a suas mães queridas que frequentam a Casa de Ermance, em Belo Horizonte.
Como elas não podem ser divulgadas aqui e no intuito de poder auxiliar alguma mãe distante, peguei uma cartinha mais antiga que foi endereçada a pais que perderam seu filho por atropelamento, retirei os dados pessoais, e mantive a mensagem consoladora, na esperança de que a cartinha possa ajudar alguma mãe em sofrimento.


"Meus paizinhos queridos,
Eu sei que as palavras parecem não ser minhas nesse bilhete sincero que escrevo. Palavras de gente grande, mas sentimentos de pingo de gente como eu. Estou me valendo de uma situação em que somo meus pensamentos com as idéias do médium. Ainda assim quero que saibam, sou eu mesmo teu filhinho que partiu para uma nova etapa. Procurem sentir-me mais que entender-me.
Mamãe, eu vejo tuas lágrimas de dor pensando no que eu possa ter sofrido debaixo das rodas pesadas do veículo desgovernado. Não foi bem assim mãezinha! Acredite!
O vozinho querido me estendeu os braços antes mesmo que pudesse ver ou saber o que tinha acontecido. Foi como um tombo passageiro que a gente fica sem saber alguns segundos onde está. Nunca doeu nada mamãe. Você sabe como eu sou esperto e duro pra aguentar…
Papai, não diga que a vida acabou! A vida começa de verdade quando somos chamados a pensá-la de outro jeito. Alegrias e tristezas todos vamos passar e sempre tudo será recomeço, continuidade e crescimento.
Sei que vivi muito pouco no entendimento de vocês. Talvez tenha sido mesmo muito pouco para o tanto de amor que nos unia, mas quero que saibam que foi muito importante para mim que não sabia o que era renascer no corpo físico há tanto tempo.
Eu peço a vocês que tenham coragem e continuem. É tudo que eu preciso para continuar meus passos. Vamos juntos transformar a sombra espessa da amargura em dias de superação, coragem e nova luz. Jamais seremos separados caso o nosso amor consiga construir o caminho da aceitação, perante a vida. A revolta, ao contrário, machuca e nos distancia. A cirurgia dolorosa da separação afetiva é apenas um novo começo. Dói porque todos nós precisamos enxergar um lado da vida que ainda não conhecíamos.
Fiquem de coração aberto para a vida, respirem a vida. Por que continuar carregando essa culpa de que não me deram o quanto eu precisava? Eu me sentia amado por vocês. Isso é que importa. Perdoem-se por não terem sido quem gostariam ou fazerem quanto desejariam por mim. Eu me sinto enriquecido de ter pais como vocês.
Naõ xinguem Deus pelo que aconteceu. Ele sabe muito melhor que todos nós o que precisamos de verdade para avançar.
Eu estou entre outras crianças que também fizeram suas malas para a viagem definitiva. É um lugar iluminado e feliz. Você já esteve aqui nos seus sonhos mãezinha. Recorda a professora que também fez suas malas para cá, aquela que tinha dores horríveis na coluna, ela também esteve por aqui porque sabia de minha vinda. Aqui temos luz, diversão, acolhimento e carinho.
Eu sei hoje que dias melhores esperam a cada um de nós. Eu só escrevi para lhes pedir isso em nome do amor que nos une, que esparramem o amor que nos enlaça a outros que tem menos do que nós, para que as bênçãos poderosas do afeto alimentem o ânimo e a atenue a dor daqueles que sequer não tem pelo que viver.
Seu filhinho de sempre, por entre o perfume da alegria e os eflúvios da esperança."

Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Oliveira, 18 de setembro de 2010, na Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

ALIVIO




Nessa manhã, quando fui psicografar, eu começei a ouvir um soluço sofrido de uma mulher. A ele se juntou um choro desesperado de uma outra mulher. Logo a seguir ouvi um grito feminino de angústia. A tal ponto chegou a percepção que me vi na contigência natural de me defender, porque parecia que eu ouvia centenas de melhures chorando e clamando. Eu me recolhi na prece e percebi a presença de dona Maria Modesto Cravo, e a perguntei o que era aquilo. Ela então me respondeu: "esse é o pranto sofrido das mães do mundo que perderam seus filhos". Novamente indaguei-lhe: a senhora quer que façamos algo? E essa tutora amorosa me disse: "transforme seu lápis mediúnico em um lenço, meu filho, e vamos secar as lágrimas dessas mulheres que, como eu, experimentaram a dor do desespero por meio da separação da morte". Três jovens escreveram cartas a suas mães queridas que frequentam a Casa de Ermance, em Belo Horizonte.
Como elas não podem ser divulgadas aqui e no intuito de poder auxiliar alguma mãe distante, peguei uma cartinha mais antiga que foi endereçada a pais que perderam seu filho por atropelamento, retirei os dados pessoais, e mantive a mensagem consoladora, na esperança de que a cartinha possa ajudar alguma mãe em sofrimento.


"Meus paizinhos queridos,
Eu sei que as palavras parecem não ser minhas nesse bilhete sincero que escrevo. Palavras de gente grande, mas sentimentos de pingo de gente como eu. Estou me valendo de uma situação em que somo meus pensamentos com as idéias do médium. Ainda assim quero que saibam, sou eu mesmo teu filhinho que partiu para uma nova etapa. Procurem sentir-me mais que entender-me.
Mamãe, eu vejo tuas lágrimas de dor pensando no que eu possa ter sofrido debaixo das rodas pesadas do veículo desgovernado. Não foi bem assim mãezinha! Acredite!
O vozinho querido me estendeu os braços antes mesmo que pudesse ver ou saber o que tinha acontecido. Foi como um tombo passageiro que a gente fica sem saber alguns segundos onde está. Nunca doeu nada mamãe. Você sabe como eu sou esperto e duro pra aguentar…
Papai, não diga que a vida acabou! A vida começa de verdade quando somos chamados a pensá-la de outro jeito. Alegrias e tristezas todos vamos passar e sempre tudo será recomeço, continuidade e crescimento.
Sei que vivi muito pouco no entendimento de vocês. Talvez tenha sido mesmo muito pouco para o tanto de amor que nos unia, mas quero que saibam que foi muito importante para mim que não sabia o que era renascer no corpo físico há tanto tempo.
Eu peço a vocês que tenham coragem e continuem. É tudo que eu preciso para continuar meus passos. Vamos juntos transformar a sombra espessa da amargura em dias de superação, coragem e nova luz. Jamais seremos separados caso o nosso amor consiga construir o caminho da aceitação, perante a vida. A revolta, ao contrário, machuca e nos distancia. A cirurgia dolorosa da separação afetiva é apenas um novo começo. Dói porque todos nós precisamos enxergar um lado da vida que ainda não conhecíamos.
Fiquem de coração aberto para a vida, respirem a vida. Por que continuar carregando essa culpa de que não me deram o quanto eu precisava? Eu me sentia amado por vocês. Isso é que importa. Perdoem-se por não terem sido quem gostariam ou fazerem quanto desejariam por mim. Eu me sinto enriquecido de ter pais como vocês.
Naõ xinguem Deus pelo que aconteceu. Ele sabe muito melhor que todos nós o que precisamos de verdade para avançar.
Eu estou entre outras crianças que também fizeram suas malas para a viagem definitiva. É um lugar iluminado e feliz. Você já esteve aqui nos seus sonhos mãezinha. Recorda a professora que também fez suas malas para cá, aquela que tinha dores horríveis na coluna, ela também esteve por aqui porque sabia de minha vinda. Aqui temos luz, diversão, acolhimento e carinho.
Eu sei hoje que dias melhores esperam a cada um de nós. Eu só escrevi para lhes pedir isso em nome do amor que nos une, que esparramem o amor que nos enlaça a outros que tem menos do que nós, para que as bênçãos poderosas do afeto alimentem o ânimo e a atenue a dor daqueles que sequer não tem pelo que viver.
Seu filhinho de sempre, por entre o perfume da alegria e os eflúvios da esperança."

Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Oliveira, 18 de setembro de 2010, na Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PARTIDA COLETIVA

No cair da tarde chuvosa do dia 17 de julho de 2007, em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, um desastre aéreo abalou a opinião pública e deixou um saldo de duas centenas de mortos.

A comoção atingiu patamares internacionais, vez que, entre os passageiros daquele voo estavam estrangeiros, tanto quanto pelo elevado número de vítimas.

Estima-se seja um dos desastres aéreos com maior número de vítimas. Logo, começaram a ser transmitidas, junto com o dantesco espetáculo do fogo, das explosões que se sucediam, as cenas de desespero de parentes das vítimas.

Uns gritavam pelos nomes dos que haviam partido, dilacerados de dor. Outros, já clamavam por justiça, invocando direitos e normas não respeitados. Por fim, um ou outro, abraçava-se, aliviado, ao familiar que deveria estar naquele voo, mas foi desviado para outro, pelos motivos mais diversos.

Depoimentos de quem se zangou por ter perdido o voo e agora, agradecia por não estar nele. Informações desencontradas, esforço hercúleo de bombeiros para o resgate, trabalho de repórteres, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos...

Mais uma tragédia que nos leva a indagar: Por que permite Deus tais acontecimentos tão trágicos?

Por que um voo de pouco mais de hora, realizado com sucesso, se transforma numa tragédia na chegada? Na hora do pouso?

Naturalmente, as autoridades competentes levantarão dados e se descobrirá, quem sabe, se a culpa foi da chuva torrencial, da pista do Aeroporto, de problema mecânico, de falha humana...

Mas, a indagação persiste: Por quê?
Por que jovens cheios de sonho tiveram sua vida ceifada desta forma? Por que pessoas que retornavam aos braços de seus amores morrem desta forma?

Por que tudo acontece, assim, sem a derradeira possibilidade de um abraço de despedidas? Por quê?

Se Deus é amor, por que permite tais acontecimentos que destroçam famílias e destroem vidas felizes?

Tudo na Criação é harmonia. Tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. As grandes partidas coletivas estão na pauta da Justiça Divina. Ninguém recebe algo que não deva. Desta forma, tragédias desse porte reúnem Espíritos que têm comprometimentos para com a Lei Divina.

Recambiados para o Mundo Espiritual, de forma brusca, ressarcem o que devem à Lei. As famílias que sofrem as dores superlativas estão envolvidas no mesmo processo. Nada de errado, portanto, se pensarmos na Justiça Divina que a cada um dá segundo as suas obras. E que, conforme o preceito evangélico, a semeadura é livre, mas a colheita se torna obrigatória.

Contudo, se a Justiça Divina age, também Sua Misericórdia se estende.

E, os que cremos na vida além da vida, temos a certeza de que todos os Espíritos que pereceram no desastre aéreo, receberam apoio espiritual.

Seus anjos de guarda, enviados de Deus, os ampararam no trânsito desta para a vida verdadeira.

Aos que permanecemos na carne, aguardando o nosso momento da partida, cabe-nos orar pelos que se foram. Pelos que ficaram.

Pelos corações de mães destroçados, pelos cônjuges feridos, pelos órfãos, pelos enamorados, pelos amigos, por todos os que sofrem a ausência dos amores.

E, enquanto aguardamos a própria partida, orarmos ainda mesmo por nós, para que, em chegada a hora, estejamos a postos e preparados.

Seja a partida pelos braços da enfermidade, de forma lenta Ou de forma repentina, por acidente orgânico, meteorológico ou qualquer outro.

PARTIDA COLETIVA

No cair da tarde chuvosa do dia 17 de julho de 2007, em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, um desastre aéreo abalou a opinião pública e deixou um saldo de duas centenas de mortos.

A comoção atingiu patamares internacionais, vez que, entre os passageiros daquele voo estavam estrangeiros, tanto quanto pelo elevado número de vítimas.

Estima-se seja um dos desastres aéreos com maior número de vítimas. Logo, começaram a ser transmitidas, junto com o dantesco espetáculo do fogo, das explosões que se sucediam, as cenas de desespero de parentes das vítimas.

Uns gritavam pelos nomes dos que haviam partido, dilacerados de dor. Outros, já clamavam por justiça, invocando direitos e normas não respeitados. Por fim, um ou outro, abraçava-se, aliviado, ao familiar que deveria estar naquele voo, mas foi desviado para outro, pelos motivos mais diversos.

Depoimentos de quem se zangou por ter perdido o voo e agora, agradecia por não estar nele. Informações desencontradas, esforço hercúleo de bombeiros para o resgate, trabalho de repórteres, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos...

Mais uma tragédia que nos leva a indagar: Por que permite Deus tais acontecimentos tão trágicos?

Por que um voo de pouco mais de hora, realizado com sucesso, se transforma numa tragédia na chegada? Na hora do pouso?

Naturalmente, as autoridades competentes levantarão dados e se descobrirá, quem sabe, se a culpa foi da chuva torrencial, da pista do Aeroporto, de problema mecânico, de falha humana...

Mas, a indagação persiste: Por quê?
Por que jovens cheios de sonho tiveram sua vida ceifada desta forma? Por que pessoas que retornavam aos braços de seus amores morrem desta forma?

Por que tudo acontece, assim, sem a derradeira possibilidade de um abraço de despedidas? Por quê?

Se Deus é amor, por que permite tais acontecimentos que destroçam famílias e destroem vidas felizes?

Tudo na Criação é harmonia. Tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. As grandes partidas coletivas estão na pauta da Justiça Divina. Ninguém recebe algo que não deva. Desta forma, tragédias desse porte reúnem Espíritos que têm comprometimentos para com a Lei Divina.

Recambiados para o Mundo Espiritual, de forma brusca, ressarcem o que devem à Lei. As famílias que sofrem as dores superlativas estão envolvidas no mesmo processo. Nada de errado, portanto, se pensarmos na Justiça Divina que a cada um dá segundo as suas obras. E que, conforme o preceito evangélico, a semeadura é livre, mas a colheita se torna obrigatória.

Contudo, se a Justiça Divina age, também Sua Misericórdia se estende.

E, os que cremos na vida além da vida, temos a certeza de que todos os Espíritos que pereceram no desastre aéreo, receberam apoio espiritual.

Seus anjos de guarda, enviados de Deus, os ampararam no trânsito desta para a vida verdadeira.

Aos que permanecemos na carne, aguardando o nosso momento da partida, cabe-nos orar pelos que se foram. Pelos que ficaram.

Pelos corações de mães destroçados, pelos cônjuges feridos, pelos órfãos, pelos enamorados, pelos amigos, por todos os que sofrem a ausência dos amores.

E, enquanto aguardamos a própria partida, orarmos ainda mesmo por nós, para que, em chegada a hora, estejamos a postos e preparados.

Seja a partida pelos braços da enfermidade, de forma lenta Ou de forma repentina, por acidente orgânico, meteorológico ou qualquer outro.

sexta-feira, 11 de março de 2011

MULHER

Na dolorosa situação dos vossos tempos, observamos a mulher, de modo geral, indiferente aos seus grandes deveres. As ilusões políticas, a concorrência profissional, os venenos filosóficos invadiram os lares.

São poucas as companheiras fieis que se mantêm nos postos de serviço com Jesus, convictas da transitoriedade das posições humanas.

Quase sempre o que se verifica, é justamente o naufrágio de luminosas esperanças que, a principio, pareciam incorruptíveis e vigorosas. Semelhantes desastres são oriundos do esquecimento de que a nossa linha de frente, na batalha humana, é o lar, com todas as suas obrigações e sacrifícios, compelindo as mães, as esposas, filhas e irmãs aos atos supremos de renúncia.

Nosso Mestre é Jesus. Nosso trabalho é a edificação para a vida eterna. É imprescindível não olvidar que os homens obedecerão, em todas as suas tarefas, ao imperativo do sentimento. Sem esse requisito, são muito raros os que triunfam. É necessário converter o nosso potencial de fé em fonte de auxilio.

Nada conseguiremos no terreno das competições mesquinhas, mas sim na esfera da bondade e da cooperação espiritual.

Busquemos compreender, cada vez mais, o caráter transcendente de nossas obrigações. Quando nos referimos ao dever doméstico, claro que não aludimos à subserviência ou à escravidão. Referimo-nos à dignidade feminina com o Cristo para que todas nos tornemos devotadas cooperadoras de nossos irmãos. O mau feminismo é aquele que promete conquistas mentirosas, perdido em pregações brilhantes para esbarrar, mais tarde, em realidades dolorosas. Reconhecemos, porém, que o feminismo, esse que integra a mulher no conhecimento próprio, é o movimento de Jesus, em favor do lar, para o lar e dentro do lar.

Felizes, sois, portanto, pela santidade de vosso ministério. Unamos as mãos no trabalho redentor. Seja nossa casa, o grande abrigo dos corações, onde todos temos uma tarefa sagrada a cumprir. Deus no-la concedeu, atendendo-nos às aspirações mais elevadas e às suplicas mais sinceras. Cada obstáculo seja um motivo novo de vitória e cada pequena dor seja para nós uma jóia do escrínio da eternidade.

Deixai que a tormenta do mundo, com suas velhas incompreensões, se atenue pelo Poder Divino. Não vos magoe os ouvidos o rumor das quedas exteriores. Continuai na casa do coração, certas de que Jesus estará conosco, sempre que lhe soubermos preferir a companhia sacrossanta.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CIUMES

Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática, a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades, que nunca encontram apoio nem reconforto.

Atormentado pelo ego dominador, o paciente, quando não consegue asfixiar aquele a quem estima ou ama, dominando-lhe a conduta e o pensamento, foge para o ciúme, em cujo campo se homizia a fim de entregar-se aos sofrimentos masoquistas que lhe ocultam a imaturidade, a preguiça mental e o desejo de impor-se à vítima de sua psicopatologia.

No aturdimento do ciúme, o ego vê o que lhe agrada e se envolve apenas com aquilo em que acredita, ficando surdo à razão, à verdade.

O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial.

O ciumento, inseguro dos próprios valores, descarrega a fúria do estágio primitivista em manifestações ridículas, quão perturbadoras, em que se consome. Ateia incêndios em ocorrências imaginárias, com a mente exacerbada pela suspeita infeliz, e envenena-se com os vapores da revolta em que se rebolca, insanamente.

Desviando-se das pessoas e ampliando o círculo de prevalência, o ciúme envolve objetos e posições, posses e valores que assumem uma importância alucinada, isolando o paciente nos sítios da angústia ou armando-o com instrumentos de agressão contra todos e tudo.

O ciúme tende a levar sua vítima à loucura.

O ego enciumado fixa o móvel da existência no desejo exorbitante e circunscreve-se à paixão dominadora, destruindo as resistências morais e emocionais, que terminam por ceder-lhe as forças, deixando de reagir.

Armadilha do ego presunçoso, ele merece o extermínio através da conquista de valores expressivos, que demonstrem ao próprio indivíduo as suas possibilidades de ser feliz.

Somente o self pode conseguir essa façanha, arrebentando as algemas a que se encontra agrilhoado, para assomar, rico de realizações interiores, superando a estreiteza e os limites egóicos, expandindo-se e preenchendo os espaços emocionais, as aspirações espirituais, vencidos pelos gases venenosos do ciúme.

Liberando-se da compressão do ciúme, a pouco e pouco, o eu profundo respira, alcança as praias largas da existência e desfruta de paz com alguém ou não, com algo ou nada, porém com harmonia, com amor, com a vida.

S E X O

“Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda a não ser para aquele que a tem por imunda” – Paulo. (Romanos, 14:14.)

Quando Paulo de Tarso escreveu esta observação aos romanos, referia-se à alimentação que, na época, representava objeto de áridas discussões entre gentios e judeus.

Nos dias que passam, a ato de comer já não desperta polêmicas perigosas, entretanto, podemos tomar o versículo e projetá-lo noutros setores de falsa opinião.

Vejamos o sexo, por exemplo. Nenhum departamento da atividade terrestre sofre maiores aleives. Fundamente cego de espírito, o homem, de maneira geral, ainda não consegue descobrir aí um dos motivos mais sublimes de sua existência. Realizações das mais belas, na luta planetária, quais sejam as da aproximação das almas na paternidade e na maternidade, a criação e a reprodução das formas, a extensão da vida e preciosos estímulos ao trabalho e à regeneração foram proporcionadas pelo Senhor às criaturas, por intermédio das emoções sexuais; todavia, os homens menoscabam o “lugar santo”, povoando-lhe os altares com os fantasmas do desregramento.

O sexo fez o lar e criou o nome de mãe, contudo, o egoísmo humano deu-lhe em troca absurdas experimentações de animalidade, organizando para si mesmo provações cruéis.

O Pai ofereceu o santuário aos filhos, mas a incompreensão se constituiu em oferta deles. É por isto que romances dolorosos e aflitivos se estendem, através de todos os continentes da Terra.

Ainda assim, mergulhado em deploráveis desvios, pergunta o homem pela educação sexual, exigindo-lhe os programas. Sim, semelhantes programas poderão ser úteis; todavia, apenas quando espalhar-se a santa noção da divindade do poder criador, porque, enquanto houver imundície no coração de quem analise ou de quem ensine, os métodos não passarão de coisas igualmente imundas.

AUXILIA ENQUANTO É HOJE

Recorda que, um dia, demandarás também o grande país da morte.

Sentirás o frio do túmulo a envolver-te o raciocínio, até que a luz te bafeje o espírito renovado.

Nem por isso, deixarás de ouvir as palavras que o verbo humano pronuncie em tua memória e, em plena transformação, receberás o impacto de todos os pensamentos formulados na Terra a teu respeito.

Então suspirarás pela benevolência do próximo para que as tuas boas intenções sejam tomadas em conta no julgamento de teus dias.

Sofrerás no coração a crítica e a malevolência, a mágoa e a acusação com que te envolvam o nome, tanto quanto regozijar-te-ás com as vibrações de carinho e com as preces de amor endereçadas ao teu espírito...

Reflete nessa lição do amanhã inevitável, fazendo-te, agora, mais humano e mais doce, em recordando os mortos que são mais vivos que tu mesmo, na imortalidade renascente.

-o-

Ainda mesmo no comentário, em torno daqueles que se arrojaram à trevas, pensa nas boas obras que terão inutilmente desejado praticar durante a permanência no corpo e lembra-te das esperanças que lhes teceram no mundo os primeiros sonhos...

Medita nas lágrimas ocultas que choraram sem consolo, nas aflições e remorsos que lhes vergastaram a consciência, mas não te confies à cultura da reprovação e do ódio, destacando-lhes o lado obscuro e amargo da vida...

-o-

Procura enxergar o bem que os outros ainda não perceberam, auxilia onde muitos desistiram do perdão, ajuda onde tantos desertaram da caridade, e estarás acendendo piedosa luz para teus próprios pés, à maneira de lâmpada suave e amiga, com que te erguerás, desde hoje, muito acima da sombra espessa e triste da morte.

O HOMEM EM BUSCA DO EXITO

O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio

Título :
O Homem em Busca de Êxito

Autor:
Divaldo Franco (médium)
Joanna de Ângelis (Espírito)

Fonte:
Livro: O Homem Integral

MENSAGENS

Insegurança e Crises. Conflitos Degenerativos da Sociedade. O Primeiro Lugar e o Homem Indispensável.

Insegurança e Crises – Esboroam-se, sob os camartelos das revoluções hodiernas, os edifícios da tradição ultramontana, cedendo lugar às apressadas construções do desequilíbrio, sem memória ancestral, sem alicerce cultural.

Ruem, diante dos abalos da ciência tecnológica, o empirismo e as obras da arbitrária dominação totalitária, substituídos pelo alucinar das novas maquinações de aventureiros desalmados, perseguindo suas ambições imediatistas a prejuízo da sociedade, do individuo.

A política desgovernada exibe os seus corifeus, que se fazem triunfadores de um dia, logo passando ao anonimato, repletos de gozos e valores perecíveis, a intoxicar-se nos vapores dos vícios e das perversões em que falecem os últimos ideais que ainda possuíam.

Os direitos humanos decantados em toda parte sofrem o vilipêndio daqueles que os deveriam defender, em razão do desrespeito que apresentam diante das leis por eles mesmos elaboradas, em desprezo flagrante às Instituições que se comprometeram socorrer, por descrédito de si próprios.

A anarquia substitui a ordem e as transformações sociais apressadas não têm tempo de ser assimiladas, porque substituídas pelos modismos que se multiplicam em velocidade ciclópica.

Velhos dogmas, nascidos e cultivados no caldo da ignorância, são esquecidos e nascem as idéias liberais revolucionárias, que instigam o homem fraco contra o seu irmão mais forte gerando ódios, quando deveriam amansar o lobo ameaçador, a fim de que, pacificado, pudesse beber na mesma fonte com o cordeiro sedento, que lhe receberia proteção dignificadora.

As circunstâncias externas do inter-relacionamento das criaturas, fenômeno conseqüente ao desequilíbrio do individuo, engendram no contexto hodierno a insegurança, que fomenta as crises.

Sucedem-se, desse modo, as crises de autoridade, de respeito, de honradez, de valores ético-morais, e a desumanização da criatura assoma nos painéis do comportamento, insensibilizando-a pelo amolentamento emocional ou exacerbação, na volúpia do prazer e da violência conduzidos pelas ambições desmedidas.

As crises respondem pela desconfiança das pessoas, umas em relação às outras, pelo rearmamento belicoso de uns indivíduos contra os outros, pela agressividade automática e atrevida.

A queda do respeito que todos se devem, respeito este sem castração nem temor, estimula a indisciplina que começa na educação das gerações novas, relegadas a plano secundário, em que se cuidam de oferecer coisas, em mecanismos sórdidos de chantagem emocional, evitando-se dar amor, presença, companheirismo e orientação saudável.

A crise de autoridade responde pela corrupção em todas as áreas, sob a cobertura daqueles que deveriam zelar pelos bens públicos e administrá-los em favor da comunidade, pois que, para tal se candidataram aos postos de comando, sendo remunerados pelos contribuintes para este fim. Como efeito, os maus exemplos favorecem a desonestidade, discreta e pública, dos membros esfacelados do organismo social enfermo, preparando os bolsões de miséria econômica, moral com todos ingredientes para a rebelião criminosa, o assalto a mão armada, o apropriamento indébito dos bens alheios, a insegurança geral. O que se nega em compromisso de direito, é tomado em mancomunação da força com o ódio.

Mesmo os valores espirituais do homem se apresentam em crise de pastores, e amigos, capazes de exercerem o ministério da fé religiosa com serenidade, sem separativismo, com amor, sem discórdia na grei, com fraternidade, sem disputas da primazia, sem estrelismo.

Nas várias escolas de fé espocam a rebelião, as disputas lamentáveis, a maledicência ácida ou o distanciamento formando quistos perigosos no corpo comunitário.

O homem apresenta-se doente, e a sociedade, que lhe é o corpo grupal, encontra-se desestruturada em padecimento total.

As crises gerais, que procedem da insegurança individual, são, por sua vez, responsáveis por mais altas e expressivas somas de desconforto, insatisfação, instabilidade emocional do homem, formando um círculo vicioso que se repete, sem aparente possibilidade de arrebentar as cadeias fortes que o constituem.

Vitimado por sucessivos choques desde o momento do parto, quando o ser é expulso do claustro materno, onde se encontrava em segurança, este enfrenta, desequipado, inumeráveis desafios que não logra superar.

Chegando a idade adulta, ei-lo receoso, desestruturado para enfrentar a máquina insensível dos dias contemporâneos, em que a eletrônica e a robótica são conduzidas, porém, avançam, tomando o controle da situação e, lentamente, reduzindo-o a observador das respostas e imposições digitadas, apertando ou desligando controles e submetendo-se aos resultados preestabelecidos, sem emoção, sem participação pessoal nos dados recolhidos.

Noutras circunstâncias, ou em estado fetal, experimenta os choques geradores de insegurança, no comportamento da gestante revoltada diante da maternidade não desejada e até mesmo odiada. O jogo de reações nervosas, as vibrações deletérias da revolta contra o ser em formação, atingem-lhe os delicados mecanismos psíquicos, desarmonizando os núcleos geradores do futuro equilíbrio, sob as chuvas de raios destruidores, que os afetam irreversivelmente.

O que o amor poderia realizar posteriormente e a educação lograr em forma de psicoterapia, ficam à margem, sob os cuidados de pessoas remuneradas, sem envolvimento emocional ou interesse pessoal, produzindo marcas profundas de abandono e solidão, que ressurgirão como traumas danosos no desenvolvimento da personalidade.

A par dos fatores sóciomesológicos, outras razões são preponderantes na área do comportamento inseguro, que são aquelas que procedem das reencarnações anteriores, malogradas ou assinaladas pelos golpes violentos que foram aplicados pelo Espírito em desconcerto moral, ou que os padeceu nas rudes pugnas existenciais.

Assinalando com rigor a manifestação da afetividade tranqüila ou desconfiada, aquelas impressões são arquivadas no inconsciente profundo, graças aos mecanismos sutis do perispírito. O homem é um ser inacabado, que a atual existência deverá colaborar para o aperfeiçoamento a que se encontra destinado. Faltando-lhe os recursos favoráveis ao ajustamento, torna-se uma peça mal colocada ou inadaptada na complexidade da vida social, somando à sua insegurança dos outros membros, assim favorecendo as crises individuais e coletivas.

Por desinformação ou fruto de um contexto imediatista-consumista elaborou-se a tese de que a segurança pessoal é o resultado do ter, que se manifesta pelo poder e recebe a resposta na forma de parecer. Todos os mecanismos responsáveis pelo homem e sua sobrtevivência se estribam nessas propostas falsas, formando uma sociedade de forma, sem profundidade, de apresentação, sem estrutura psicológica nem equilíbrio moral.

Trabalhando somente no exterior, relega-se, a plano secundário ou a nenhum, o sentido ético do ser humano, da sua realidade intrínseca, das suas possibilidades futuras, jacentes nele mesmo.

O homem deve ser educado para conviver consigo próprio, com a sua solidão, com os seus momentâneos limites e ansiedades, administrando-os em proveito pessoal, de modo a poder compartir emoções e reparti-las, distribuir conquistas, ceder espaços, quando convidado à participação em outras vidas, ou pessoas outras vierem envolver-se na sua área emocional.

Desacostumado à convivência psíquica consciente com os seus problemas, mascara-se com as fantasias da aparência e da posse, fracassando nos momentos em que se deve enfrentar, refletido em outrem que o observa com os mesmos conflitos e inseguranças. As uniões fraternais então se desarticulam, as afetivas se convertem em guerras surdas, o matrimonio naufraga, o relacionamento social sucumbe disfarçado nos encontros da balbúrdia, da extravagância, dos exageros alcoólicos, tóxicos, orgíacos, em mecanismos de fuga da realidade de cada um.

A educação, a psicoterapia, a metodologia da convivência humana devem estruturar-se em uma consciência de ser, antes de ter; de ser, ao invés de poder, de ser, embora sem a preocupação de parecer.

Os valores externos são incapazes de resolver as crises internas, aliás, não poucas vezes, desencadeando-as.

O que o homem é, suas realizações íntimas, sua capacidade de compreender-se, às pessoas e ao mundo, sua riqueza emocional e idealística, estruturam-no para os embates, que fazem parte do seu modus vivendi e operandi, neste processo incessante de crescimento e cristificaçao.

A coragem para os enfrentamentos, sem violência ou recuos, capacita-o para os logros transformadores do ambiente social, que deslocará para o passado a ocorrência das crises de comportamento, iniciando-se a era de construção ideal e de reconstrução ética, jamais vivida antes na sua legitimidade.

Os conceitos do poder e da força estão presentes na sistemática governança dos povos. Sempre os militares governaram mais do que os filosóficos, e o poder sempre esteve por mais tempo nas mãos dos violentos do que na sabedoria dos pacíficos, gerando as guerras exteriores, porque os seus apaniguados viviam em constantes guerras íntimas, inseguros, aguardando a traição dos fracos que, bajuladores, os rodeavam, e a audácia dos mais fortes, que lhes ambicionavam o poderio, terminando, quase todos, vítimas das suas nefastas urdiduras.

A segurança íntima conseguida mediante o autodescobrimento, a humanização e a finalidade nobre que se deve imprimir à vida são fatores decisivos para a eliminação das crises, porquanto, afinal, a descrença que campeia e o desconcerto que se generaliza são defluentes do homem moderno que se encontra em crise momentânea, vitimado pela insegurança que o aturde.

Conflitos Degenerativos da Sociedade – A crise de credibilidade, de amor instaura o estado conflitivo da personalidade que perde o roteiro, incapaz de definir o que é correto ou não, qual a forma de comportamento mais compatível com a época e, ai mesmo tempo, favorável ao seu bem-estar, anquilosando pessoas refratárias ao progresso nas idéias superadas ou produzindo grupos rebeldes fadados â destruição, que se entregam à desordem, à contra-cultura, buscando sempre chocar, agredir.

Os grupos opostos se afastam, se armam e se agridem.

O homem ainda não aprendeu a ser solidário quando não concorda, preferindo ser solitário, ser opositor.

Certamente, a renovação é lei da vida.

A poda faculta o ressurgimento do vegetal.

O fogo purifica os metais, permitindo-lhes a moldagem.

A argila submete-se ao oleiro.

A vida social é resultado das alterações sofridas pelo homem, seu elemento essencial.

È necessário, portanto, que se dê a transformação, a evolução dos conceitos, o engrandecimento dos valores. Para tal fim, às vezes, é preciso que ocorra a demolição das estratificações, do arcaico, do ultrapassado. Lamentavelmente, porém, nesta ação demolidora, a revolta contra o passado, pretendendo apagar os vestígios do antigo, vai-olhe até as raízes, buscando extirpá-las.

O homem e a sociedade, sem raízes não sobrevivem.

No começo, o paganismo greco-romano era uma bela doutrina, rica de símbolos e significados, caracterizando o processo psicológico da evolução histórica do homem. O abuso, mais tarde, fé-lo degenerar e a Doutrina cristã se apresentou na forma de um corretivo eficaz, oportuno. A dosagem exagerada, porém, terminou por causar danos inesperados, no largo período da noite medieval, da qual algumas religiões contemporâneas ainda padecem os efeitos negativos.

O mesmo vem acontecendo com a sociedade que, pata livrar-se das teias da hipocrisia, dos preconceitos, da vilania, da prepotência, elaborou s códigos da liberdade, da igualdade, da fraternidade, em lutas sangrentas, ainda não consideradas além das formulações teóricas e referências bombásticas, sem repercussão real no organismo das comunidades humanas em sofrimento.

As recentes reações culturais contra a autenticidade da conduta têm produzido mais males que resultados positivos.

Em nome da evolução, sucedem-se as revoluções destrutivas que não oferecem nada capaz de preencher os espaços vazios que causam.

A insatisfação do individuo fustiga e perturba o grupo no qual ele se localiza, sendo expulso pela reação geral ou tornando-se um câncer em processo metástico. Facilmente o pessimista e o colérico contaminam os desalentos, passando-lhes o morbo do desânimo ou o fogo da irritação, a prejuízo geral.

Armam-se querelas desnecessárias, altera-se a filosofia dos partidos existentes, que se transferem para a agressividade, as acusações descabidas, sem trabalho à vista para a retificação dos erros, a reabilitação moral dos caídos, para o bem-estar coletivo.

Cada pequeno grupo dentro do grupo maior, sem consenso, busca atrapalhar a ação do adversário, mesmo quando benéfica, porque deseja demonstrar-lhe a falência, movido pelos interesses personalistas, em detrimento do processo de estabilidade e crescimento de todos.

O personalismo se agiganta, as paixões servis se revelam, o idealismo cede lugar à vileza moral.

A predominância do egoísmo em a natureza humana faz-se responsável pelo caos em volta, no qual os conflitos degenerativos da sociedade campeiam.

Surgem as plataformas frágeis em favor do grupo desde que sob o comando e a alternativa única do ególatra, que alicia outros semelhantes, que se lhe acercam, igualmente ansiosos por sucessos que não merecem, mas que pleiteiam. Inseguros, incapazes de competir a céu aberto, honestamente, aguardam na furna da própria pequenez, por motivos verdadeiros ou não, para incendiarem o campo de ação alheia, longe dos objetivos nobres, porém reflexos dos seus estados íntimos conflituosos.

Não se tornam adversários leais, porque a inveja, antes, os fizera inimigos ocultos que aguardavam o ensejo para desvelarem-se.

Face às distonias pessoais de que são portadores, decantam a necessidade do progresso da sociedade e bloqueiam-no com a astúcia, a desarticulação de programas eficientes, antes de testados, atacando-os vilmente e aos seus portadores, a quem ferem pessoalmente, pela total impossibilidade de permanecerem no campo ideológico, já que não possuem idealismo.

Estimulam a dissensão, porque os seus conflitos não os auxiliam a cooperar, entretanto, os motivam a competir. Não podem trabalhar a favor, porque os seus estímulos somente funcionam quando se opõem.

Em razão da insegurança pessoal desconfiam dos sentimentos alheios e provocam distúrbios que se originam em suspeitas injustificáveis, a soldo do prazer mórbido que os assinala.

O conflito íntimo é matriz cancerígena no organismo humano em constante ameaça ao grupo social.

Cabe ao homem em conflito revestir-se de coragem, resolvendo-se pelo trabalho de identificação das possibilidades que dispõe, ora soterradas nos porões da personalidade assustada. Sentindo-se incapaz de enfrentar-se, a busca de alguém capacitado a apontar-lhe o rumo e ajudá-lo a percorrê-lo é tão urgente quão indispensável. Inúmeras terapias estão ao seu alcance, entre os técnicos da área especializada, assim como as da Psicologia Transpessoal apresentando-lhe a intercorrência de fatores paranormais e da Psicologia Espírita, aclarando-o com as luzes defluentes dos fenômenos obsessivos geradores dos problemas degenerativos no individuo e na sociedade.

O conglomerado social, por sua vez, tem o dever de auxiliar o homem em conflito, de ajudá-lo a administrar as suas fobias, ansiedades, traumas, e mesmo o de socorrê-lo nas expressões avançadas quando padecendo psicopatologias diversas, em ética de sobrevivência do grupo, pois que, do contrário, através do alijamento de cada membro, quando vier a ocorrência se desarticulará o mecanismo de sustentação da grei.

A sociedade deve responder pelos elementos que a constituem, pelos conflitos que produz, assim como assume as glórias e conquistas dos felizardos que a compõem.

Os conflitos degenerativos da sociedade tendem a desaparecer, especialmente quando o homem, em se encontrando consigo mesmo, harmonize o seu cosmo individual (micro), colaborando para o equilíbrio do universo social (macro), no qual se movimenta.

O Primeiro Lugar e o Homem Indispensável – Na área dos conflitos psicológicos a competição surge, quase sempre, como estímulo, a fim de fortalecer a combalida personalidade do individuo que, carente de criatividade, apega-se às experiências exitosas que outros realizaram, para impor-se e, assim, enfrentar as próprias dificuldades, escamoteando-as com o esforço que se aplica na conquista do que considera meta de triunfo.

Ambicionando a realização pessoal e temendo o insucesso que, afinal, é um desafio à resistência moral e à sua perseverança no ideal, prefere disputar as funções e cargos à frente, sem qualquer escrúpulo, em luta titânica, na qual se desgasta, esperando compensações externas, monetárias e de promoção social, assim massageando o ego, ambicioso e frágil.

O homem que age desta forma, está sempre um passo atrás da sua vítima provável, que de nada suspeita e ajuda-o, estimula-o até padecer-lhe a injunção ousada quão lamentável.

Por sua vez, o triunfador não se apercebe que, no degrau deixado vago, já alguém assoma utilizando-se dos mesmos artifícios ou mascarando-os com os olhos postos no seu trono passageiro.

A competição saudável, em forma de concorrência, fomenta o progresso, multiplica as opções, abre espaços para todos que, criativos, propõem variações do mesmo produto, novidades, idéias originais, renovação de mercado.

De outra forma, as personalidades conflituosas, arquitetando planos de segurança, apegam-se ao trabalho que realizam, às empresas onde laboram, crendo-se indispensáveis, responsáveis pelo primeiro lugar que conseguiram com sacrifício, e transferem-se, psicologicamente, para a sua Entidade. Somente se sentem felizes e compensadas quando discutem o seu trabalho, a sua execução, a sua importância. O lar, a família, o repouso, as férias se descolorem, porque não preenchem as falsas necessidades do ego exacerbado. Respiram o clima de preocupação do trabalho em toda parte e vivem em função dele.

Sentem o triunfo após os anos de lutas exaustivas, e informam que, a sua saída seria uma tragédia, um caos para a organização, já que são pessoas-chaves, molas-mestras, sem as quais nada funciona, ou se tal se dá é precariamente.

Não percebem que o tempo se escoa na ampulheta das horas, os métodos de ação se renovam, o cansaço os vence, a vitalidade diminui e, no degrau, imediatamente inferior, já está o competidor, jovem ambicioso aguardando, disputando, aprendendo a sua técnica e mais bem equipado do que ele, em condições de substituí-lo com vantagens. A sua cegueira não lhes permite enxergar. Quando o observam, deprimem-se, revoltam-se contra os limites orgânicos inexoráveis, utilizando-se de artifícios para prosseguirem.

Dão-se conta que passaram a ser constrangimento no trabalho, que pensavam pertencer-lhes, lamentando-se, queixando “que deram a vida e agora colhem ingratidão”. Certamente, os homens indispensáveis doaram a vida como fuga de si mesmos e ofereceram-na a um ser sem alma, sem coração, que apenas objetiva lucros, portanto, insensível, impessoal... Ali, os filhos substituem os pais, expulsam-nos, jovialmente, sob a alegação de que estes merecem o justo repouso, as viagens de férias que nunca tiveram; aposentam-nos. Livram a Empresa deles, de sua dominação, não mais condizente com os tempos modernos. Eles foram bons e úteis no começo, não mais agora, quando começam a emperrar a máquina do progresso, a impedirem, por inadaptação óbvia, o curso do crescimento e desenvolvimento da entidade...

Assim, chega o momento da realidade para o homem que ocupa o primeiro lugar, o indispensável. É convidado a solicitar a aposentadoria, quando não é jubilado sem maior consideração.

Surpreso, diz-se em condições de prosseguir. Afirma que ainda é jovem; quer trabalhar; dispõe de saúde... O silêncio constrangedor adverte-o que não há mais outra alternativa. Ele foi usado como peça de engrenagem empresarial que, desgastada, deve ser substituída de imediato a benefício geral. Oportunamente, a benefício da organização, ele tomara a mesma atitude em relação a outros funcionários, que foram afastados.

A amargura domina-o, o ressentimento enfurece-o e a frustração, longamente adiada, assoma e o conduz à depressão.

As interrogações sucedem-se. “E agora? Que fazer da vida, do tempo?”.

Como não cultivou outros valores, outros interesses, arroja-se ao fosso da autodestruição, egoisticamente, esquecido dos familiares e amigos, afinal, aos quais nunca deu maior importância nem valorização. Afasta-se mais do convívio social e, não raro, suicida-se, direta ou indiretamente. A Empresa não lhe sente a falta, prossegue em funcionamento.

Somente quem realizou uma boa estrutura de personalidade, enfrenta com razoável tranqüilidade o choque de tal natureza, para o qual se preparou, antevendo o futuro e programando-se para enfrentá-lo, transferindo-se de uma ação para outra, de uma empresa para um ideal, de uma máquina para um grupamento humano respirável, emotivo, pensante.

Ninguém é indispensável em lugar nenhum. O primeiro de agora será dispensável amanhã, assim co0mo o último de hoje, possivelmente, estará no comando no futuro. A morte, a cada momento, demonstra-o.

A polivalência das aspirações é reflexo de normalidade, de equilibro comportamental, de harmonia da personalidade, convidando o homem a buscar sempre e mais.

A desincumbência do dever reflete-lhe o valor moral e a nobreza da sua consciência. Segurar as rédeas da dominação em suas mãos fortes, denota insegurança íntima, crise de conduta.

O homem tem o dever de abraçar ideais de enobrecimento pessoal e grupal, participar, envolver-se emocionalmente, fazer-se presente na comunidade, como complemento da sua conduta existencial.

A criatura terrena está em viagem pela Terra, e todo trânsito, por mais demorado, sempre termina. Ninguém se engane e não engane a outros.

Uma auto-análise cuidadosa, uma reflexão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, a meditação sobre os objetivos da vida concedem pautas e medidas para a harmonia, para o êxito real do ser.

A finalidade da existência corporal é a conquista dos valores eternos, e o êxito consiste em lograr o equilíbrio entre o que se pensa ter e o que se é realmente, adquirindo a estabilidade emocional para permanecer o mesmo, na alegria como na tristeza, na saúde conforme na enfermidade, no triunfo qual sucede no fracasso.

Quem consiga a ponderação para discernir o caminho, e o percorra com tranqüilidade, terá começado a busca do êxito que, logo mais, culminará com alegria.

MEDO DE PERDER

Quem tem medo de perder, não está capacitado para ganhar”.

Amigo, se você tem medo de perder, seja em que sentido for, é porque não confia naquilo que está realizando ou pretende realizar e naqueles que estão talvez junto a você, num trabalho de equipe.

Se você duvida, se não tem esperança no sucesso, então não merece a vitória.

O otimismo, a idéia positiva, a confiança na realização que empreendemos, é um fator preponderante para o êxito. Sem essa idéia construtiva, é bem possível que não haja realmente sucesso.

A condição precípua para o êxito é a capacidade de confiança e esperança que temos e que se chama entusiasmo. Sem essa condição anulamos qualquer empreendimento.

Pensamento é força viva, criadora ou destruidora.

Se você destrói a possibilidade de vencer, se não confia em si e nos seus companheiros de luta, qual a margem que tem para alcançar o seu objetivo?

Ainda no nascedouro você lhe nega a possibilidade de nascer e viver. Só produzirá aberrações quem duvida, quem não tem coragem de enfrentar situações que surjam, quando em meio a um trabalho.

Seria bom demais se as coisas já viessem mastigadas para engolirmos. Precisamos cooperar e essa cooperação é feita de perseverança, paciência e autoconfiança.

Afinal, nenhum trabalho deixa de ter a sua compensação. Se não der aquele resultado que esperávamos, pelo menos deixa um cabedal de conhecimentos, dadas as experiências que adquirimos no seu desenrolar.

O principal motivo da vida é desenvolver aptidões, qualidades que abortariam, se não lhes alimentássemos a gestação. O cuidado que u´a mãe tem quando concebe, a alegria e a esperança de aninhar em seus braços o entezinho que palpita no seu ventre, sem pensar em mais nada que não seja essa alegria, ajuda enormemente, no sucesso do seu parto.

Todos os planos que arquitetamos são concepções que necessitam dessa mesma confiança, dessa certeza de que tudo sairá bem.

O período de gestação de um plano de trabalho deve ser acompanhado de otimismo.

Não tenha, pois, medo de perder. Lutar por um ideal já é estar vitorioso. Ficará conosco um saldo de experiências para outras investidas com maiores possibilidades de êxito.

O importante não é conseguir-se o que se deseja, mas trabalhar, agir e atrair outros para o trabalho. Isto gera camaradagem, abre novos horizontes até então desconhecidos por nós.

São bagagens novas que adquirimos para novas investidas agora, ou em outras oportunidades.

Nossos Entes Queridos

Um ponto importante, nas relações afetivas: a nossa atitude para com os entes amados. Habitualmente, em nossa dedicação, somos tentados a escolher caminhos que supomos devam eles trilhar.

Inclinação esta mais do que justa, porquanto muito instintivamente desejamos para os outros alegrias semelhantes às nossas.

Urge considerar, entretanto, que Deus não dá cópias.

Dos pés à cabeça e de braço a braço, cada criatura é um mundo por si, gravitando para determinadas metas evolutivas, em órbitas diferentes.

À face disso, cada pessoa possui necessidades originais e tem o passo marcado em ritmo diverso.

A vida, como sucede à escola, é igual para todos nos valores do tempo; no entanto, cada aprendiz da experiência humana, qual ocorre no educandário, estagia provisoriamente em determinado caminho de lições.

*

Aquele companheiro terá tomado corpo na Terra a fim de casar-se e construir a família; outro, porém, ter-se-á incorporado no plano físico para a geração de obras espirituais com imperativos de serviço muito diferentes daqueles da procriação propriamente considerada.

*

Essa irmã terá nascido no mundo para a formação de filhos destinados à sustentação da vida planetária; aquela outra, todavia, terá vindo ao campo dos homens a fim de servir a causas generosas em regime de celibato.

*

Cada coração pulsa em faixa específica de interesses afetivos.

Cada pessoa se ajusta a certa função, compreendendo assim, sempre que a nossa ternura se proponha traçar caminhos para os entes amados, saibamos consagrar-lhes, em silêncio, respeitoso carinho, e, se quisermos auxiliá-los, oremos por eles, rogando à Sabedoria Divina os inspire e ilumine, de vez que só Deus sabe no íntimo de nós todos aquilo que mais convém ao burilamento e à felicidade de cada um.

* * *

Chico Xavier

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

MENSAGEM DE ALIVIO

Em Casa

Ninguém foge à Lei da Reencarnação.

ONTEM, atraiçoamos a confiança de um companheiro, induzindo-o à derrocada moral. HOJE, guardamo-lo na condição do parente difícil, que nos pede sacrifício incessante.

ONTEM, abandonamos a jovem que nos amava, inclinando-a ao mergulho na lagoa do vício. HOJE, temo-la de volta por filha incompreensiva, necessitada do nosso amor.

ONTEM, colocamos o orgulho e a vaidade no peito de um irmão que nos seguia os exemplos menos felizes. HOJE, partilhamos com ele, à feição de esposo despótico ou de filho-problema, o cálice amargo da redenção.

ONTEM, esquecemos compromissos veneráveis, arrastando alguém ao suicídio. HOJE, reencontramos esse mesmo alguém na pessoa de um filhinho, portador de moléstia irreversível, tutelando-lhe, à custa de lágrimas, o trabalho de reajuste.

ONTEM, abandonamos a companheira inexperiente, à míngua de todo auxílio, situando-a nas garras da delinqüência. HOJE, achamo-la ao nosso lado, na presença da esposa conturbada e doente, a exigir-nos a permanência no curso infatigável da tolerância.

ONTEM, dilaceramos a alma sensível de pais afetuosos e devotados, sangrando-lhes o espírito, a punhaladas de ingratidão. HOJE, moramos no espinheiro, em forma de lar, carregando fardos de angústia, a fim de aprender a plantar carinho e fidelidade.

À frente de toda dificuldade e de toda prova, abençoa sempre e faze o melhor que possas.

Ajuda aos que te partilham a experiência, ora pelos que te perseguem, sorri para os que te ferem e desculpa todos aqueles que te injuriam...

A humildade é a chave de nossa libertação.

E, sejam quais sejam os teus obstáculos na família, é preciso reconhecer que toda construção moral do Reino de Deus, perante o mundo, começa nos alicerces invisíveis da luta em casa.

* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Amor e Vida em Família.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.